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Domínios morfoclimáticos de Aziz Ab'Sáber

Antes do mapa oficial de biomas, Ab'Sáber leu o Brasil em seis domínios de relevo, clima e vegetação. Este guia nomeia cada um e mostra o que essa leitura ainda ensina.

RelevoLeitura com fontes indicadas

Muito antes de o IBGE publicar o mapa oficial dos seis biomas, o geógrafo Aziz Nacib Ab'Sáber propôs outra leitura do território: os domínios morfoclimáticos. Em vez de partir só da vegetação, ele combinou relevo, clima, solo e coberturas vegetais em seis grandes conjuntos de paisagem, mais as faixas em que um conjunto se mistura ao outro. Essa grade ainda cai em vestibular e ainda ajuda a entender por que um mesmo bioma oficial abriga serras, planícies e chapadões tão diferentes.

O que é um domínio

Um domínio morfoclimático é uma área em que um tipo de relevo, um regime climático e uma vegetação predominante se repetem o bastante para formar uma paisagem reconhecível. O “morfo” do nome aponta para as formas de relevo; o “climático”, para o clima que as esculpe e que sustenta a vegetação. Não é um ecossistema e não é uma unidade de conservação: é uma chave de leitura da natureza em escala continental.

Ab'Sáber descreveu o Brasil a partir dessa chave em ensaios que se tornaram referência — em especial a síntese sobre os domínios de natureza no Brasil. A proposta convive hoje com o mapa de biomas, sem o substituir. Em prova, o primeiro cuidado é ler o enunciado: se fala em Aziz Ab'Sáber, mares de morros ou araucárias como domínio, a grade é esta. Se fala em IBGE e em seis biomas continentais, a grade é a outra.

Lembrete: domínio morfoclimático pesa o relevo. Bioma pesa a vegetação em larga escala. Os contornos se parecem e não coincidem.

Os seis domínios

A divisão clássica reconhece seis domínios:

DomínioPaisagem típicaOnde a ideia se apoia
AmazônicoTerras baixas florestadas, clima equatorialA grande depressão amazônica e a floresta úmida
CerradosChapadões interiores com savanaO planalto central
Mares de morrosColinas em meia-laranja, antiga floresta atlânticaA faixa tropical-atlântica do leste
CaatingasDepressões interplanálticas semiáridasO interior seco do Nordeste
AraucáriasPlanalto subtropical com floresta de araucáriaOs planaltos do Sul
PradariasCoxilhas com campos subtropicaisO extremo sul do Rio Grande do Sul

O domínio amazônico cobre as terras baixas da maior bacia do país. O dos cerrados ocupa os chapadões do interior, com superfícies aplainadas e vegetação de savana. O dos mares de morros descreve o relevo mamelonar — as colinas em forma de meia-laranja — da faixa que vai do Nordeste oriental ao Sudeste e avança sobre o Sul, onde a antiga floresta atlântica encontrou um modelado úmido e dissecado. O das caatingas coincide em espírito com o sertão seco. O das araucárias pega o planalto frio do Sul, com o pinheiro-do-paraná. O das pradarias, também chamado de coxilhas, é o campo do pampa gaúcho.

Faixas de transição

Ab'Sáber insistiu em que os seis domínios não se encostam como peças de quebra-cabeça. Entre eles há faixas de transição, em que duas ou três lógicas de paisagem se misturam. O Pantanal, a Mata dos Cocais, o Agreste e trechos do litoral entram nessa conversa: têm personalidade própria, mas não foram elevados à condição de sétimo domínio na síntese clássica.

Essa ênfase nas transições é uma das marcas da proposta e um ponto em que ela conversa bem com o mapa de biomas, que também reconhece zonas de contato. A diferença é de recorte: o IBGE desenha seis biomas continentais mais o Sistema Costeiro-Marinho; Ab'Sáber desenha seis domínios mais um tecido de faixas. O Pantanal, menor bioma em área no mapa oficial, é um caso típico de área que a leitura morfoclimática trata com o peso de uma transição ligada ao rio Paraguai, tema do guia de hidrografia.

Domínio não é bioma

Alguns pares enganam porque os nomes se parecem. Caatinga (bioma) e caatingas (domínio) cobrem o sertão, mas o domínio enfatiza as depressões entre planaltos. Cerrado (bioma) e cerrados (domínio) cobrem o planalto central, mas o domínio insiste nos chapadões. A Mata Atlântica do IBGE, por outro lado, é mais larga do que o domínio dos mares de morros: o mapa oficial inclui a floresta de araucária e formações do interior que Ab'Sáber separa no domínio das araucárias.

Essa última diferença é a mais cobrada. No mapa de biomas, a araucária não é um sétimo bioma: está dentro da Mata Atlântica. Na grade de Ab'Sáber, ela é um domínio à parte, porque o planalto subtropical, o gelo eventual do inverno e o pinheiro formam outra paisagem que as meias-laranjas úmidas do leste. O guia de biomas e o de relevo brasileiro dão as duas metades dessa comparação; este texto é a dobradiça.

Como usar os dois mapas

A maneira produtiva de estudar não é escolher um mapa e esquecer o outro. É saber qual pergunta cada um responde. O mapa de biomas responde “que vegetação predomina nesta mancha?”. O de domínios responde “que combinação de forma de relevo, clima e cobertura organiza esta paisagem?”. Um vestibular pode cobrar os dois no mesmo dia.

Uma rotina útil é desenhar de memória os seis domínios, marcar as faixas de transição que você consegue nomear e só então sobrepor os seis biomas. Onde os contornos divergem — araucária, Pantanal, litoral, Meio-Norte — está o material de prova. Evite percentuais de área: o valor muda conforme o autor e o critério. O que permanece são os seis nomes, a ideia de transição e a diferença de método.

Para medir o que ficou, o quiz de relevo, o de biomas e o de climas cobrem as três camadas que Ab'Sáber teceu numa só leitura.

Fontes consultadas

Sobre os dados: este material reúne informações de referência estáveis. Números que mudam com o tempo são apresentados de forma aproximada e conferidos periodicamente. Encontrou algo fora do lugar? Avise a equipe.

Material revisado em 10 de setembro de 2026 pela Equipe Editorial EquityEmerge.

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